CPF/Apelido: senha:
Notícias

O desafio da Santa Casa - 09/10/2007
Qualquer estudioso que queira contar a história deste país, a partir das políticas de saúde implantadas ainda no primeiro século do Descobrimento, obrigatoriamente se debruçará sobre pilhas de documentos relacionados à Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Fundado em 24 de março de 1582, pelo padre José de Anchieta, o hospital-geral da entidade atravessou o tempo no compasso da evolução da medicina prática, e na atualização do conhecimento do seu corpo funcional. Hoje, apesar de todos os desafios que é obrigado a enfrentar para manter inalterado o caráter social de atendimento aos mais humildes, o hospital da Santa Casa do Rio entra no século XXI preservando suas credenciais de instituição de excelência acadêmica. Professores como Clementino Fraga Filho, Augusto Paulino Neto, Ivo Pitanguy, José Galvão Alves, Glaciomar Machado, Jorge Alberto Costa e Silva, entre outros chefes de serviços clínicos, são referências de ética e conduta profissional para gerações de alunos que compartilharam deste convívio. Todos os anos, cerca de 300 médicos são treinados nas diversas enfermarias mantidas pela Santa Casa, como o Centro de Estudos de Pós-Graduação, no casarão da Rua Santa Luzia, ou no Hospital Nossa Senhora da Saúde, na Gamboa, onde são ministrados cursos de pósgraduação em ginecologia e cirurgia geral. A entidade mantém, ainda, convênios com universidades, permitindo aos jovens acadêmicos a imersão na fonte do conhecimento de grandes mestres da medicina brasileira.

Hoje, a entidade carece de um choque de gestão. Se existem irregularidades administrativas, caberá aos seus dirigentes dar as devidas explicações ao Ministério Público e à Justiça. Médicos, enfermeiros e pacientes acompanham com especial atenção os desdobramentos da auditoria realizada pelo Ministério da Saúde, aguardando soluções que levem a Santa Casa de volta ao lugar de destaque como hospital de referência no Rio de Janeiro. A ninguém interessa a paralisação dos serviços de saúde, o que irremediavelmente acontecerá se forem suspensos os repasses das verbas do SUS.

A proposta do governador Sérgio Cabral, por uma gestão tripartite, envolvendo os governos federal, estadual e municipal, é uma excelente alternativa, principalmente se o prefeito Cesar Maia deixar o imobilismo de lado sobre esta questão, coisa comum a ele em assuntos relativos à saúde pública. Também devemos considerar a proposta de autonomia, sugerida pelos chefes de clínicas da rede hospitalar, composta por profissionais altamente respeitados e consagrados na medicina brasileira. Para eles, a Santa Casa é um espaço em que podem exercitar a solidariedade e o respeito ao ser humano.

Fonte: O Globo - 08/10/2007

UNASUS - União Nacional dos Auditores do SUS
www.unasus.org.br