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Estudo mostra que SUS tratou maioria de acidentados do trabalho em Salvador - 22/01/2008
Brasília - Pesquisa da Universidade Federal da Bahia (UFBA) constatou que mais de 70% dos trabalhadores que precisaram de tratamento médico por causa de acidentes de trabalho na capital baiana em 2000, 2002 e 2004 foram atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O levantamento, financiado pelo Ministério da Saúde para suprir a falta de dados sobre acidentes de trabalho, acompanhou a vida de 9,5 mil trabalhadores de Salvador no período e mostrou que 628 deles sofreram algum acidente de trabalho nos 12 meses anteriores à entrevista.

Dos 311 acidentados que necessitaram de tratamento médico depois dos primeiros socorros, 75,6% foram atendidos na rede pública de saúde. O tratamento, com duração média de duas semanas, foi considerado altamente satisfatório (com notas entre 8,1 e 10,0) por 51,3% dos atendidos.

Juntos, empresas e planos de saúde (muitas vezes contratados por elas) custearam menos de 20% dos tratamentos realizados, enquanto 5,3% deles foram pagos pelos próprios trabalhadores.

Segundo Vilma Santana, coordenadora da pequisa e do Programa Integrado de Saúde Ambiental e do Trabalhador da UFBA, os dados confirmam evidências de que o poder público tem arcado com os custos gerados por acidentes em ambientes privados.

Para ela, todo acidente de trabalho é potencialmente evitável e por isso os empregadores deveriam ser responsáveis pelos gastos gerados pela falta de prevenção. A coordenadora defende que os custos deveriam ficar com quem está provocando, mas como existe a universalidade da atenção à saúde pelo SUS fica o conflito.

“Como não dói no bolso de quem está provocando [o acidente], há uma situação de "deixa como está". O empregador não protege seus trabalhadores, eles se acidentam e quem paga a conta não é nem o plano de saúde, é o SUS, então não há motivação para que as empresas tenham uma responsabilidade maior sobre a prevenção dos acidentes de trabalho” argumentou.

Vilma Santana lembrou o mecanismo criado pelo Ministério da Previdência para incentivar a prevenção. Por meio de um levantamento técnico-epidemiológico que identifica empregadores com excesso relativo de casos de acidentes, são criadas alíquotas de contribuição maiores do que aquelas aplicadas às empresas que protegem seus trabalhadores.

Para ela, iniciativas de ressarcimento de gastos na saúde também poderiam ser adotadas para estimular a prevenção.

De acordo com a pesquisadora, estudos mostram que nos serviços de emergência as principais ocorrências em ambientes de trabalho são lesões oculares, como perfuração por farpas de madeira ou líquidos corrosivos, que poderiam ser evitadas com o simples uso de óculos.

Ela ressaltou, no entanto, que na maioria dos casos, as empresas precisariam investir na troca de equipamentos e em mudanças no processo de produção para reduzir o número de acidentes.

Segundo o Ministério da Saúde, essas ocorrências causam a morte de 14 em cada 100 mil trabalhadores brasileiros, por ano. O coeficiente de mortalidade por acidentes de trabalho é sete vezes maior do que o registrado na Finlândia, por exemplo.

Fonte: Agência Brasil - 22/01/2008

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