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A farra das ambulâncias - 29/08/2008
O trabalho de fiscalização dos auditores da Controladoria-Geral da União revela que um prato cheio para desvio das verbas da saúde pública é a compra de ambulâncias, que, em vez de atender às comunidades mais carentes, são usadas para transporte de passageiros e de objetos e são até mesmo abandonadas, para virar sucata, depois das comissões arrancadas com as fraudes nos processos de compra.

A constatação está no levantamento feito pelo jornal Estado de Minas em cerca de 1, 4 mil relatórios da CGU que apontam irregularidades diversas com o repasse de verbas federais para as prefeituras em todo o país, conforme reportagens divulgadas ao longo da semana.

A farra é maior nos municípios de pequeno porte, mas se estende por todas as regiões do país. Em Volta Redonda ( RJ) , a ambulância comprada para a Associação dos Aposentados e Pensionistas por R$ 71. 978,00 foi adquirida da empresa Planam Indústria e Comércio Ltda, acusada de comandar esquema de fraude em licitação da chamada máfia das ambulâncias. Seguindo o roteiro de corrupção, a ambulância não tinha equipamentos, como maleta com estetoscópio adulto e infantil, ressuscitador manual adulto/infantil e esfignomanômetro adulto/infantil.

A CGU constatou irregularidades também nas prefeituras de Nova Bandeirantes ( MS) e em Mirabela, no norte de Minas.

Uma ambulância (placa HMN 1023) que atende os moradores da localidade de Muquém, naquele município, foi adquirida por valor superfaturado. A Planam venceu a licitação, concorrendo com as empresas N. V. Rio Comércio e Serviços Ltda. e Unisau Comércio e Indústria Ltda. , que, de acordo com a CGU, também integram o mesmo grupo comandado pela família Vedoim, que está na cabeça do esquema de corrupção.

A ambulância foi adquirida por R$ 76 mil. Mas durante as investigações, foi constatado que o valor de mercado do veículo à época era de R$ 65. 123, 31. Nesse caso, conclui a CGU, houve superfaturamento de R$ 10. 876, 69. A Secretaria Municipal de Saúde diz que a licitação obedeceu a todos os critérios legais, sem qualquer favorecimento.

Aluguel
Outra irregularidade apontada pela CGU em Mirabela foi a cobrança de R$ 15 pelo uso do carro oficial cedido a uma associação comunitária de Riacho das Pedras para levar pacientes para o atendimento ao Programa Saúde da Família. No relatório da controladoria, consta que a prefeitura alegou desconhecimento da cobrança, que teria sido suspensa depois da fiscalização feita pelo órgão.

Mirabela vive o clima de uma acirrada disputa pela prefeitura, travada entre os candidatos Luciano Rabelo ( PTC) , da situação; e Lacerdino Garcia de Meneses ( PDT), da oposição. O secretário de Saúde, Ednardo Rodrigues Lopes, disse que jamais houve cobrança de transportes de doentes no município.
Segundo ele, a atual administração, com recursos federais e estaduais, adquiriu vários veículos para o transporte de pacientes.

Correio Braziliense 29/8/2008

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