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A verdade sobre o dinheiro do SUS - 26/02/2010
Como o Jornal do Comércio publicou em suas edições de 12 e 19 de fevereiro, uma auditoria do DENASUS esteve no Estado verificando a aplicação dos recursos do SUS nos anos de 2006, 2007 e no primeiro semestre de 2009. A este respeito é preciso que se façam algumas considerações. O trabalho revelou que a Secretaria Estadual da Saúde injetou recursos repassados pela União no mercado financeiro ao invés de utilizá-los em ações e serviços de saúde. E mais, que no mercado internacional o investimento teria sido de R$ 6,775 milhões.

Dizer que tornar público o resultado desta auditoria e subir em palanque político é, no mínimo, ingenuidade. Ninguém irá acreditar que os trabalhadores em saúde no Rio Grande do Sul, que somam um contingente de 100 mil, não sabem com o que convivem diariamente. Eles sustentam a engrenagem da força de trabalho do setor e têm autoridade para dizer onde estão as suas falhas.

Ao percorrermos milhares de quilômetros por ano gerenciando crises com a categoria e a população, cada vez mais desassistida, não o fazemos para desmoralizar pretensos adversários políticos. O fazemos para que a realidade chegue onde deva chegar.

Que realidade? Aquela identificada no relatório e sem medo de que vire manchete sindical. Que, em 2006, por exemplo, o Ministério da Saúde repassou R$ 2,828 milhões para ações de vigilância sanitária e ao final do ano o saldo da conta triplicou, passando para R$ 9,071 milhões; em 2007, os R$ 841 mil destinados às mesmas ações saltaram para R$ 10,962 milhões. No primeiro semestre de 2009, da mesma forma, a vigilância sanitária recebeu R$ R$ 2,882 milhões e a conta final chegou a R$ 4,186 milhões. Será que estes números não estão refletidos nas manchetes dos jornais dos últimos dias, apontando um surto da dengue? Os recursos, antes de sobrarem ou crescerem nos cofres, deveriam ter sido utilizados nos programas para os quais foram destinados.

No Rio Grande do Sul, onde todas as crises da saúde são creditadas à falta de recursos, o Estado vive cobrando mais recursos federais e é o que menos investe no setor. No momento em que se tem acesso a uma auditoria federal, indicando que poderíamos ter uma saúde melhor – mesmo sem considerar os escassos recursos próprios – mas com a correta aplicação de repasses da União, criticar a secretaria por má gestão é uma obrigação. E é isto que estão fazendo as entidades representativas dos trabalhadores e dos usuários do SUS. O único direito que cabe a SES, nesse momento, é o de tentar se justificar, já que não se dispôs a fazê-lo para os auditores do Denasus.

Fonte: Jornal do Comércio

UNASUS - União Nacional dos Auditores do SUS
www.unasus.org.br