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No Rio, relatório do Denasus aponta perdas de R$15, 6 milhões no segundo semestre de 2009 - 27/04/2010
O desperdício de medicamentos se repete em todo o país. Apenas no Rio, as perdas da Secretaria estadual de Saúde com remédios e insumos que passaram da validade chegaram a R$ 15, 6 milhões de julho a novembro do ano passado, de acordo com um relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), do Ministério da Saúde. Na Bahia, dezenas de caixas de medicação foram incendiadas na rua, quinta-feira passada, no Centro de Itabuna. E em Mato Grosso do Sul, remédios vencidos seriam despejados inadequadamente num lixão de Corumbá, como constatou o Ministério Público Federal (MPF).

No caso do Rio, os medicamentos estragaram na Central Geral de Abastecimento fluminense, em Niterói. O desperdício só foi descoberto após o MPF solicitar ao Denasus um levantamento sobre a situação da distribuição de remédios no estado, para verificar o cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Nas averiguações, de acordo com a procuradora Aline Caixeta, foram encontradas irregularidades graves, como as medicações fora da validade e atrasos na construção de uma farmácia central de dispensação, que deveria ficar pronta em fevereiro, mas que continua em obras.

- Os remédios estavam guardados em locais inadequados. Não podemos admitir que R$ 15,6 milhões sejam perdidos. Há gente precisando de remédios – disse ela, ressaltando a abertura de ação judicial para que o estado regularize a situação e de inquérito para apurar responsabilidades pelo desperdício apontado pelo Denasus.

A Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil, por sua vez, também diz investigar as perdas. A promessa é concluir, até o fim de maio, uma sindicância para apurar o prejuízo. Marcos Alves, superintendente estadual de Logística e Suprimentos, no entanto, contesta o valor indicado pelo Denasus.

Segundo ele, as perdas no período foram de R$ 8 milhões, pouco mais de 1% dos R$ 750 milhões movimentados com medicamentos e insumos no estado ano passado e, de acordo com ele, abaixo dos 3% tolerados pelos padrões internacionais.

Desperdícios, porém, que não são novidade no Rio, como comprovou a própria Secretaria de Saúde, em 2007, quando foram identificados o equivalente a 30 caminhões,ou R$ 20,4 milhões, de insumos médicos vencidos, na mesma central de armazenamento de Niterói.

Já em Itabuna, ninguém sabe ainda a procedência dos remédios queimados no Centro da cidade. A prefeitura garante não pertencer à sua rede. E testemunhas contam apenas que o material foi descartado por dois homens numa caminhonete. O medo dos moradores é de algum tipo de contaminação, mesmo temor de quem vive em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Na cidade, o MPF comprovou em março o descarte de remédios vencidos num lixão. E, num depósito municipal, encontrou dezenas de medicamentos e insumos fora do prazo que, provavelmente, teriam o mesmo destino.

No local, parte do material ainda estava armazenada de forma inadequada. A prefeitura, no entanto, afirmou que a quantidade de medicamentos fora da validade encontrada era aceitável, e negou que o material seria descartado no lixão.

Fonte: O Globo - Rio de Janeiro/RJ

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