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Índice ajuda a melhorar a gestão do SUS - 06/03/2012
Qualquer grande estrutura, no setor privado ou na área pública, requer monitoramento para ter um padrão administrativo eficiente. Daí empresários e executivos trabalharem com pesquisas periódicas sobre o humor da clientela, e terem, independentemente da atividade, algum sistema de atendimento a reclamações.

Procurar enxergar muito além das paredes do escritório, auscultar de perto o consumidor do produto, o usuário do serviço é ponto-chave em qualquer negócio. A prática é rarefeita ou inexistente no setor público. Vai, portanto, na direção certa a iniciativa do Ministério da Saúde de instituir o Índice de Desempenho do SUS (IDSUS), ferramenta essencial para detectar os gargalos no Sistema Único de Saúde - que não são poucos.

Só assim será possível estabelecer programas específicos para melhorar o atendimento à população. Não adianta dizer que o SUS como um todo tem deficiências. É uma constatação inócua. O importante é definir os entraves, localizá-los geograficamente, a fim de que se possa desenhar projetos de ataque aos problemas, definir os responsáveis por eles, metas a serem alcançadas e em que prazos.

O gigantismo do SUS serve de barreira a qualquer iniciativa de aprimoramentos gerenciais. O sistema, compartilhado pelos Executivos federal, estaduais e municipais, realiza 3,2 bilhões de procedimentos médicos por ano, 1 milhão de internações mensais, é recordista mundial em transplantes. Mas não há alternativa para melhorá-lo a não ser com monitoramento e adoção de técnicas gerenciais modernas.

O primeiro IDSUS, divulgado na quinta-feira, foi calculado a partir de dados obtidos em 2008, 2009 e 2010 pelo IBGE, Organização Mundial de Saúde, Ipea e estados e municípios. Ele é composto de 24 indicadores e avalia com notas de 0 a 10 a qualidade do atendimento em estados e municípios.

Na média, o Brasil recebeu 5,47, nota medíocre. Abaixo dela, estão o Rio (4,33), o pior entre as grandes cidades, Belém, Maceió, Brasília. No topo, Vitória (7,08) e Curitiba (6,96). No geral, confirma-se a má estruturação do SUS: apenas 347 cidades receberam nota acima de 7, das quais 345 estão nas regiões Sul e Sudeste. A precariedade nas demais regiões é imensa.

O cálculo estatístico de médias é sempre enganoso, embora necessário. O correto é, a partir desses dados, se olhar com lupa cada região, cada município. Dessa forma, encontram-se grandes disparidades. Há algo de errado na gestão de um sistema em que convivem extremos. Por exemplo, uma maternidade de Florianópolis de atendimento impecável, na qual gestantes de risco podem ficar longo tempo internadas sob todos os cuidados, co-habita no SUS com emergências de São Gonçalo, Rio de Janeiro, o município de pior nota (4,18) no grupo de cidades menores.

O próprio estado se encontra na lista dos cincos mais mal avaliados, junto com Amazonas, Pará, Rondônia e Paraíba.

Como as disparidades se devem à qualidade de gestão, comprova-se que, muito antes de se discutir o "subfinanciamento" do SUS, é imperioso qualificar a administração de estados e municípios mal avaliados. O mapa traçado pelo índice mostra que há expertise para isso dentro do próprio SUS. Trata-se agora de irradiá-lo.

Um bom passo é aplicar a proposta do ministro Alexandre Padilha de estados e municípios que melhorarem a nota serem premiados com mais recursos. Servirá de estímulo a todos, e ganhará a população.

Fonte: O Globo

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