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Mais recursos para hemodiálise - 13/03/2012
Valor corresponde a reajuste de 10%,o maior desde 2005. Este ano, orçamento federal para o setor ultrapassará R$ 2 bilhões. Levantamento indica que cerca de 60% dos pacientes que fazem tratamento de hemodiálise no país apresentam hipertensão ou diabetes como causas da doença renal crônica

O Ministério da Saúde vai ampliar em R$ 181,6 milhões o investimento anual em hemodiálise para melhorar o atendimento aos pacientes com insuficiência renal. Essa verba corresponde a um aumento de 10% no valor repassado aos serviços de saúde por cada sessão do tratamento – é o maior reajuste deste procedimento na tabela SUS desde 2005. A Portaria 387, que determina a mudança, foi publicada no Diário Oficial da União da última quinta-feira (8), data em que se comemora o Dia Mundial do Rim.

“Com essa injeção de recursos e outras medidas direcionadas ao setor, o orçamento federal para o tratamento de diálise será superior a R$ 2 bilhões,este ano”, destaca o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães. “Queremos garantir a sustentabilidade dos serviços e aumentar a qualidade da assistência oferecida à população”, reforça o secretário. Segundo ele, a medida atende a demandas de gestores estaduais e municipais, de entidades e profissionais da área de nefrologia para qualificar e ampliar o acesso, reduzindo filas e o tempo de espera para o atendimento.

A expectativa é que novos reajustes ocorram nos próximos anos, a partir da avaliação da estrutura dos serviços de hemodiálise que será feita por uma consultoria independente a ser contratada pelo Ministério.

Além desse reajuste, o Ministério da Saúde destinou, em dezembro de 2011, um adicional de R$ 73,3 milhões por ano para ampliar o atendimento em hemodiálise no SUS. Está em estudo, ainda, a criação de uma linha de financiamento que será proposta ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para a melhoria da infraestrutura dos hospitais filantrópicos e privados que oferecem assistência nessa área.

O Ministério da Saúde investiu R$ 1,8 bilhão em hemodiálise só no ano passado, o que representa o dobro do total destinado sete anos atrás (em 2004, foram R$ 887,9 milhões). O total alocado para a área, considerando todo o atendimento em nefrologia, é de R$ 2,1 bilhões.

INFRAESTRUTURA–Estima-se que 79,5 mil pacientes são mantidos em serviços de diálise na rede pública de saúde, sendo que 90% desse total fazem hemodiálise. O SUS oferece atenção integral aos usuários com problemas renais, incluindo a oferta de medicamentos e de exames complementares. Há um crescimento sustentado no número de serviços especializados e no atendimento a esse público.
Em 2011, ocorreram mais de 11,5 milhões de sessões de hemodiálise na rede pública. O crescimento em sete anos foi de 46,5%. Em 2004, foram 7,8 milhões de procedimentos. Em relação ao número de serviços, só no ano passado, 20 novos foram habilitados para assistência em nefrologia, totalizando 672 em todo o país – 30% a mais que o total em 2004 (483).

REDE DE ATENÇÃO–A atuação do Ministério da Saúde na atenção aos pacientes com problemas renais se estende à área de prevenção e promoção da saúde, evitando complicações ou mesmo a necessidade de diálise. Foi criado, no fim de 2011, um grupo de trabalho para estruturar a linha de cuidado e implementar a Rede de Atenção Integral à Saúde Renal. Esse grupo reúne representantes da Sociedade Brasileira de Nefrologia, dos Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde, além de representantes das gestões estaduais e municipais.

A ideia é criar uma rede de assistência a esse público que envolva desde as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) até o atendimento hospitalar, fortalecendo a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças renais. Uma das preocupações do Ministério da Saúde é o aumento da incidência de diabetes e hipertensão arterial na população brasileira, o que são fatores de risco para o doente renal crônico.
“Estamos trabalhando em diferentes frentes para não só garantir assistência e melhor qualidade de vida a esses pacientes, como também para evitar complicações e mortes. As medidas propostas pelo Ministério da Saúde promovem o aumento de acesso aos serviços de hemodiálise, bem como qualidade na atenção à população”, diz o secretário Helvécio Magalhães. A previsão é de que a primeira proposta do grupo seja entregue em 60 dias.

HIPERTENSÃO E DIABETES– Levantamento do Ministério da Saúde indica que cerca de 60% dos pacientes que fazem tratamento de hemodiálise no Brasil apresentam hipertensão ou diabetes como causas da doença renal crônica – caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função dos rins. “A doença renal crônica é uma das principais consequências do tratamento inadequado da hipertensão arterial e do diabetes, elevando o risco de morte prematura por doença cardiovascular em mais de dez vezes”, alerta a médica Patrícia Abreu, da Coordenação de Hipertensão e Diabetes do Ministério da Saúde.

“Toda pessoa que é portadora de hipertensão ou diabetes deverá realizar, no mínimo uma vez por ano, avaliação da função renal, que é um exame de sangue com dosagem da creatinina e exame de urina para detectar presença de albumina”, recomenda Patrícia Abreu. Ela salienta que o tratamento da doença renal deve manter as medidas de controle de glicemia e hipertensão, acrescentar medicamentos de proteção renal, cuidar do estado nutricional e evitar o uso de qualquer medicamento tóxico para os rins, em especial os anti-inflamatórios.

Para quem já desenvolveu a doença, é imprescindível a avaliação do nefrologista – médico especialista em problemas renais – para orientar a prevenção e o tratamento das complicações resultantes da doença e para modificar doenças associadas. Com a evolução da doença renal crônica, o paciente e seus familiares devem ser preparados para uma possível fase de diálise ou transplante renal.

RISCOS E CUIDADOS- Além do crescimento e envelhecimento da população, sedentarismo e alimentação inadequada são fatores que explicam o aumento do problema atualmente. Porém, trata-se de uma doença da qual se pode escapar com medidas de prevenção. “No estágio inicial, a disfunção pode ser detectada por exames laboratoriais simples e de baixo custo. Além disso, o tratamento das doenças de base, que são a hipertensão e o diabetes, impede ou retarda a evolução para estágios mais avançados da doença renal crônica ou para doença cardiovascular ou morte”, lembra.

Embora seja responsável por quase metade das mortes por acidente vascular cerebral e por 25% das mortes por doença coronariana, a hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças crônicas não transmissíveis.

Quanto ao diabetes, que é a segunda causa de início em diálise, nem sempre resulta em complicação renal, se for adotado um estilo de vida saudável, sem fumo ou álcool e com a prática de atividade física regular. Cerca de 30 milhões de brasileiros são hipertensos (23%) e sete milhões sofrem de diabetes (6%).

Fonte: Agência Saúde – Ascom/MS

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